segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

HAJA MEMÓRIA

Para lembrar a alguns esquecidos de fraca memória...
Como se tolera esta “democracia com falhas”? Se tem falhas não é democracia, talvez tenha é “falhas na ditadura”!
Como se pode tolerar medidas que foram derrotadas no 25 de Abril?
Como se pode tolerar num regime dito democrático decisões nas costas das populações?
Como se pode tolerar a perda da nossa nacionalidade?
Como se pode tolerar a ingerência estrangeira no nosso País?
Como se pode tolerar que o responsável máximo de um governo democrático aconselhe jovens a imigrarem?
Como se pode tolerar que após 50 anos de fascismo salazarista continuamos a consentir a canga do fascismo?
Nada disto é tolerável.

HAJA MEMÓRIA

1931 - O estudante Branco é morto pela PSP, durante uma manifestação no Porto;
1932 - Armando Ramos, jovem, é morto em consequência de espancamentos;
           Aurélio Dias, fragateiro, é morto após 30 dias de tortura;
           Alfredo Ruas, é assassinado a tiro durante uma manifestação em Lisboa;
1934 - Américo Gomes, operário, morre em Peniche após dois meses de tortura;
           Manuel Vieira Tomé, sindicalista ferroviário morre durante a tortura em   
           consequência da repressão da greve;
           Júlio Pinto, operário vidreiro, morto à pancada;
           PSP mata um operário conserveiro durante a repressão de uma greve em Setúbal
1935 - Ferreira de Abreu, dirigente da organização juvenil do PCP, morre no hospital  
           após ter sido espancado na sede da PIDE (então PVDE);
1936 - Francisco Cruz, operário da Marinha Grande, morre na Fortaleza de Angra do  
           Heroísmo, vítima de maus tratos, é deportado em 18 de Janeiro de 1934;
           Manuel Pestana Garcez, trabalhador, é morto durante a tortura;
1937 - Ernesto Faustino, operário e José Lopes, operário anarquista, morrem durante a
            tortura, sendo este último um dos presos da onda de repressão que se seguiu ao
            atentado a Salazar;
            Manuel Salgueiro Valente, tenente-coronel, morre em condições suspeitas no   
            forte de Caxias;
            Augusto Costa, operário da Marinha Grande, Rafael Tobias Pinto da Silva, de
            Lisboa, Francisco Domingues Quintas, de Gaia, Francisco Manuel Pereira,
            marinheiro de Lisboa, Pedro Matos Filipe, de Almada e Cândido Alves Barja,  
            marinheiro, de Castro Verde, morrem no espaço de quatro dias no Tarrafal,
            vítimas das febres e dos maus tratos;
            Augusto Almeida Martins, operário, é assassinado na sede da PIDE (PVDE)    
            durante a tortura ;
            Abílio Augusto Belchior, operário do Porto, morre no Tarrafal, vítima das febres    
            e dos maus tratos;
1938 - António Mano Fernandes, estudante de Coimbra, morre no Forte de Peniche, por
            lhe ter sido recusada assistência médica, sofria de doença cardíaca;
            Rui Ricardo da Silva, operário do Arsenal, morre no Aljube, devido a           
            tuberculose contraída em consequência de espancamento perpetrado por seis            
           agentes da Pide durante oito horas;
           Arnaldo Simões Januário, dirigente anarco-sindicalista, morre no campo do      
           Tarrafal, vítima de maus tratos;
           Francisco Esteves, operário torneiro de Lisboa, morre na tortura na sede da     
           PIDE;
           Alfredo Caldeira, pintor, dirigente do PCP, morre no Tarrafal após lenta agonia
           sem assistência médica;
1939 - Fernando Alcobia, morre no Tarrafal, vítima de doença e de maus tratos;
1940 - Jaime Fonseca de Sousa, morre no Tarrafal, vítima de maus tratos;
           Albino Coelho, morre também no Tarrafal;
           Mário Castelhano, dirigente anarco-sindicalista, morre sem assistência médica no
           Tarrafal;
1941 - Jacinto Faria Vilaça, Casimiro Ferreira; Albino de Carvalho; António Guedes
           Oliveira e Silva; Ernesto José Ribeiro, operário, e José Lopes Dinis morrem no
           Tarrafal;
1942 - Henrique Domingues Fernandes morre no Tarrafal;
           Carlos Ferreira Soares, médico, é assassinado no seu consultório com rajadas de
           metralhadora, os agentes assassinos alegam legítima defesa (?!);
           Bento António Gonçalves, secretário-geral do P. C. P. Morre no Tarrafal;                
           Damásio Martins Pereira, fragateiro, morre no Tarrafal;
           Fernando Óscar Gaspar, morre tuberculoso no regresso da deportação;
          António de Jesus Branco morre no Tarrafal;
1943 - Rosa Morgado, camponesa do Ameal (Águeda), e os seus filhos, António, Júlio e
           Constantina, são mortos a tiro pela GNR;
           Paulo José Dias morre tuberculoso no Tarrafal;
           Joaquim Montes morre no Tarrafal com febre biliosa;
           José Manuel Alves dos Reis morre no Tarrafal;
           Américo Lourenço Nunes, operário, morre em consequência de espancamento
           perpetrado durante a repressão da greve de Agosto na região de Lisboa;      
           Francisco do Nascimento Gomes, do Porto, morre no Tarrafal;
           Francisco dos Reis Gomes, operário da Carris do Porto, é morto durante a
           tortura;
1944 - General José Garcia Godinho morre no Forte da Trafaria, por lhe ser recusado
            internamento hospitalar;
            Francisco Ferreira Marques, de Lisboa, militante do PCP, em consequência de  
            espancamento e após mês e meio de incomunicabilidade;
            Edmundo Gonçalves morre tuberculoso no Tarrafal;
            Assassinados a tiro de metralhadora uma mulher e uma criança, durante a  
            repressão da GNR sobre os camponeses rendeiros da herdade da Goucha
            (Benavente), mais 40 camponeses são feridos a tiro.
1945 - Manuel Augusto da Costa morre no Tarrafal;
           Germano Vidigal, operário, assassinado com esmagamento dos testículos, depois
           de três dias de tortura no posto da GNR de Montemor-o-Novo;
           Alfredo Dinis (Alex), operário e dirigente do PCP, é assassinado a tiro na estrada
           de Bucelas;
           José António Companheiro, operário, de Borba, morre de tuberculose em
           consequência dos maus tratos na prisão;
1946 - Manuel Simões Júnior, operário corticeiro, morre de tuberculose após doze anos
           de prisão e de deportação;
           Joaquim Correia, operário litógrafo do Porto, é morto por espancamento após
           quinze meses de prisão;
1947 – José Patuleia, assalariado rural de Vila Viçosa, morre durante a tortura na sede
            da PIDE;
1948 - António Lopes de Almeida, operário da Marinha Grande, é morto durante a
           tortura;
           Artur de Oliveira morre no Tarrafal;
           Joaquim Marreiros, marinheiro da Armada, morre no Tarrafal após doze anos de            
           dportação;
           António Guerra, operário da Marinha Grande, preso desde 18 de Janeiro de 1934,
           morre quase cego e após doença prolongada;
1950 - Militão Bessa Ribeiro, operário e dirigente do PCP, morre na Penitenciária de
           Lisboa, durante uma greve de fome e após nove meses de incomunicabilidade;
           José Moreira, operário, assassinado na tortura na sede da PIDE, dois dias após a  
           prisão, o corpo é lançado por uma janela do quarto andar para simular
           suicídio;
           Venceslau Ferreira morre em Lisboa após tortura;
           Alfredo Dias Lima, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR durante uma
           manifestação em Alpiarça;
1951 - Gervásio da Costa, operário de Fafe, morre vítima de maus tratos na prisão;
1954 - Catarina Eufémia, assalariada rural, assassinada a tiro em Baleizão, durante uma
            greve, grávida e com uma filha nos braços;
1957 - Joaquim Lemos Oliveira, barbeiro de Fafe, morre na sede da PIDE no Porto após
           quinze dias de tortura;
           Manuel da Silva Júnior, de Viana do Castelo, é morto durante a tortura na sede
           da PIDE no Porto, sendo o corpo, irreconhecível, enterrado às escondidas num
           cemitério do Porto;
           José Centeio, assalariado rural de Alpiarça, é assassinado pela PIDE;
1958 - José Adelino dos Santos, assalariado rural, é assassinado a tiro pela GNR,
           durante uma manifestação em Montemor-o-Novo, vários outros trabalhadores
           são feridos a tiro;
           Raul Alves, operário da Póvoa de Santa Iria, após quinze dias de tortura, é
           lançado por uma janela do quarto andar da sede da PIDE, à sua morte assiste a
           esposa do embaixador do Brasil;
1961 - Cândido Martins Capilé, operário corticeiro, é assassinado a tiro pela GNR
           durante uma manifestação em Almada;
           José Dias Coelho, escultor e militante do PCP, é assassinado à queima-roupa
           numa rua de Lisboa;
1962 - António Graciano Adângio e Francisco Madeira, mineiros em Aljustrel, são
           assassinados a tiro pela GNR;
           Estêvão Giro, operário de Alcochete, é assassinado a tiro pela PSP durante a
           manifestação do 1º de Maio em Lisboa;
1963 - Agostinho Fineza, operário tipógrafo do Funchal, é assassinado pela PSP, sob a
           indicação da PIDE, durante uma manifestação em Lisboa;
1964 - Francisco Brito, desertor da guerra colonial, é assassinado em Loulé pela GNR;
           David Almeida Reis, trabalhador, é assassinado por agentes da PIDE durante
           uma manifestação em Lisboa;
1965 - General Humberto Delgado e a sua secretária Arajaryr Campos (brasileira)
            assassinados a tiro em Vila Nueva del Fresno (Espanha), os assassinos são o
            inspector da PIDE Rosa Casaco e o subinspector Agostinho Tienza e o agente
            Casimiro Monteiro;
1967 - Manuel Agostinho Góis, trabalhador agrícola de Cuba, more vítima de tortura na
            PIDE;
1968 - Luís António Firmino, trabalhador de Montemor, morre em Caxias, vítima de
           maus tratos;
           Herculano Augusto, trabalhador rural, é morto à pancada no posto da PSP de
           Lamego por condenar publicamente a guerra colonial;
           Daniel Teixeira, estudante, morre no Forte de Caxias, em situação de
           incomunicabilidade, depois de agonizar durante uma noite sem assistência;
1969 - Eduardo Mondlane, dirigente da Frelimo, é assassinado através de um atentado
           organizado pela PIDE;
1972 - José António Leitão Ribeiro Santos, estudante de Direito em Lisboa e militante
           do MRPP, é assassinado a tiro durante uma reunião de apoio à luta do povo
           vietnamita e contra a repressão, o seu assassino, o agente da PIDE Coelha da
           Rocha, viria a escapar-se na "fuga-libertação" de Alcoentre, em Junho de 1975;
1973 - Amilcar Cabral, dirigente da luta de libertação da Guiné e Cabo Verde, é
           assassinado por um bando mercenário a soldo da PIDE, chefiado por Alpoim
           Galvão;
1974 – 25 de Abril
            Fernando Carvalho Gesteira, de Montalegre, José James Barneto, de Vendas
            Novas, Fernando Barreiros dos Reis, soldado de Lisboa, e José Guilherme Rego
            Arruda, estudante dos Açores, são assassinados a tiro pelos pides acoitados na
            sua sede na Rua António Maria Cardoso, são ainda feridas duas dezenas de
            pessoas.
A PIDE acabou como começou, assassinando.
Aqui não ficam contabilizadas as inúmeras vítimas anónimas da PIDE, GNR e PSP em outros locais de repressão.
Mais ainda:
Dezenas de mortos na repressão da revolta da Madeira, em Abril de 1931, ou outras tantas dezenas na repressão da revolta de 26 de Agosto de 1931.
Um número indeterminado de mortos na deportação na Guiné, Timor, Angra e no Cunene.
Um número indeterminado de mortos devido à intervenção da força fascista dos "Viriatos" na guerra civil de Espanha e a entrega de fugitivos aos pelotões de fuzilamento franquistas.
Dezenas de mortos em São Tomé, na repressão ordenada pelo governador Carlos Gorgulho sobre os trabalhadores que recusaram o trabalho forçado, em Fevereiro de 1953.
Muitos milhares de mortos durante as guerras coloniais.
Não podemos esquecer
Não podemos Ignorar ….


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